A sobriedade de Mystic River

segunda-feira, maio 29, 2017

Há mais de uma década que andava para ver este filme de 2003 do Clint Eastwood, vencedor de 2 Óscares e 2 Globos de Ouro (Melhor Ator para Sean Penn e Melhor Ator Secundário para Tim Robbins). Nunca calhou, até agora, que o apanhei no AXN Black e não o deixei escapar.

Já o devia ter visto há mais tempo, efectivamente. Eu e todas as alminhas que gostem de cinema. É sombrio e sóbrio, como um peso que nos cai em cima dos ombros durante mais de duas horas e não o queremos largar, qual masoquismo atento.

Tudo começa com uma história do passado - três amigos, que brincam na rua fazendo asneiras, são interpelados por um homem mais velho, bem vestido e com um bom carro, que os repreende. Aclamando que o vai levar à mãe para prestar contas, o homem enfia um dos rapazes no carro. Algum tempo depois os amigos e a vizinhança percebem que algo está errado. Aquele miúdo acaba por passar quatro dias fechado a sofrer os maiores horrores às mãos daquele homem até conseguir fugir.

Agora, esse miúdo é adulto, e nunca mais foi o mesmo. Reservado, fechado, carregando um espectro permanente, tenta viver uma vida normal. Até que a relativa normalidade é abalada pelo assassínio de uma pessoa próxima - a filha de um daqueles rapazes que estavam com ele naquele dia. O mistério adensa-se à medida que acompanhamos o trabalho policial brilhantemente interpretado por Kevin Bacon e Laurence Fishburne.

A estrela da companhia é sem dúvida Sean Penn, o pai da rapariga, um homem duro desesperado por vingança, que consegue, ao mesmo tempo, ser o expoente da sensibilidade e um osso duro de roer.

Um filme com desenrolares nada óbvios num ambiente muito bem construído numa realização brilhante.


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