A festa no Marquês já não é o que era

terça-feira, maio 16, 2017

Sou do Benfica (e isso me envaidece) e estou rejubilante por ser tetra-campeã, mas aquela festa do Marquês, perdoem-me os entusiastas, é uma valente merda.

O que era bom, mesmo bom, era quando não havia palcos, e fumo e fogo de artifício, e música electrónica tão alta, e tudo cortado e contadinho.

O que era mesmo fixe era quando o autocarro seguia a passo de caracol e demorava horas para dar uma volta ao Marquês, completamente engolido pela multidão. Todos queriam estar perto, tocar no autocarro, dizer-lhes adeus, atirar-lhes cuecas, levar banho de champanhe dado pelos jogadores.

O que era mesmo fixe era ouvir a multidão a gritar pelo Benfica espontaneamente, ter essas vozes a sair do peito e do coração a entoar desalmadamente, e não ter de gritar ao ouvido do próximo para ser ouvido por cima da música do Despacito.

O que era mesmo fixe era andar livremente nas ruas a apitar, a correr com o cachecol levantado e não ter um cortejo controlado a tirar o tesão. Vai por aqui, dá a volta à rua de cima, contorna à direita e talvez consigas um espacinho enlatado entre o rabo daquela senhora e a vedação a 7km do palco, onde podes ver os jogadores do tamanho de pulgas se tiveres sorte.

O que era mesmo fixe era ver os que arriscavam a subir à estátua do Marquês (até porque está lá o leão), tomar conta dela, e parecia que estávamos a conquistar o mundo e a História. Hoje, só dá para subir aos semáforos...

Os tempos são outros e sinto-me velha, mas esta festa do Despacito, da kisomba e do laser não é para mim. A festa do futebol é mais do que uma discoteca gigante onde se tem de berrar para se ser ouvido. Já não tenho esperança que as coisas mudem quando o Benfica for campeão novamente, mas Sporting, se me estás a ouvir e SE fores campeão, por favor muda o paradigma, foca-te nas pessoas, são elas que fazem o clube e bastam, e sobram para a festa.


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